"Então ali estava ela. Alice mal podia conter o tremor de suas mãos ao tocar o teclado do computador, seus olhos cor de mel cintilavam enquanto esperava impacientemente para que pudesse enviar mensagens instantâneas para quem tanto desejava. A menina dos cachos dourados almejava sentir o gosto daquelas doces palavras entrando por seus poros como se tivessem sido proferidas ali mesmo - como se Tony estivesse ao seu lado sussurrando-as em seu ouvido com carinho. A cada segundo que se passava sua inquietude aumentava e sentia aquela conhecida sensação de borboletas no estômago. Como um computador poderia causar tais efeitos em uma garota? Como poderia fazê-la se sentir como uma princesa a esperar seu príncipe no cavalo branco? Ou seria seu gato na internet banda-larga?
Seja como for, Alice estava ansiosa e melancólica, não havia olhado naqueles olhos azul-celeste desde o dia de ontem. Desde que Tony pegara em sua mão pela última vez. A menina passou as mãos pálidas pelas pápebras cor de lavanda agora muito frias. Ah, que penosa espera, pensou consigo.
Naquele dia estava tudo nublado, uma densa nuvem parecia se apossar de todo o céu e mesmo assim os olhos dele eram lindos. Havia tanta umidade naquele ar que gotículas de água molharam-lhe o cabelo dourado que escorria em ondas volumosas por suas costas, ela parecia um anjo, Tony pensou. Sua pele macia cheirava a morangos quentes e era tão fina quanto o roçar das folhas de uma rosa branca na grama. Lentamente, os braços dele envolveram a cintura dela e suas mãos pálidas e um tanto frias passaram a memorizar todos os traços do rosto dele.
Alice suspirou lentamente enquanto começava a lembrar de quando haviam se conhecido. Era treze de julho, uma noite sombria e quente. As árvores pareciam não suportar aquele calor tanto quanto os humanos, estavam tão verdes, mas ao mesmo tempo, tão secas. A menina dos olhos mel fitava a copa daquelas árvores sem saber bem porque tinha faltado na aula de artes gráficas da faculdade, sabia apenas que deveria estar em outro lugar naquela hora, naquele dia. Sabia que seu lugar não era a analisar cores, gráficos ou imagens, não nesta noite. Então ele apareceu, os cabelos desgranhados e escuros, vestia uma camiseta surrada que parecia um dia ter sido num azul-royal que combinava perfeitamente com seus olhos. Estava com uma calça puída e sapatos italianos. Nada fazia sentido ali, mas ele sorria. Aquele sorriso brilhante que Alice não imaginava ver naquela noite. Sorria para ela. Mas o que ele queria? Eles não se conheciam, nunca o havia visto no campus da faculdade, não teria esquecido se já tivesse encontrado-se com aqueles olhos. Mal o tinha fitado e já começava a perder-se naquele olhar. Tony se aproximou como num filme em preto e branco. Ainda sorrindo perguntou à Alice o que ela sabia sobre pinguins. A garota simplesmente parecia incrécula - além de bonito e charmoso, ele era louco e repentino também. Com um sorriso, Alice começou a andar para longe do moreno que ficou a fitá-la por um bom tempo até que desaparecesse nas sombras. Os começos nem sempre são como esperam as pessoas. Mas ainda assim são começos."
É assim que os apaixonados se sentem. Sem saber se aquilo foi um começo, sem saber como será o final, apenas tendo certeza de que querem que algo aconteça.
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