sábado, 15 de outubro de 2011

In the gym

E ela o fitou - os olhos escuros e brilhantes, ao menos era o que ela pensava, afinal, quando ele sorria seus olhos ficavam feito fendas. 'E isso é lindo', pensou Sarah enquanto continuava a encará-lo com um sorriso bobo nos lábios. Ela sabia que, para ele, seria mais uma. Sabia que se continuasse no rumo em que estava tudo daria errado e ela se magoaria. E o sorriso alargou-se: a menina loira de olhos dourados nunca se magoava, apenas magoava garotos bonzinhos demais. Com uma gargalhada travessa, Sarah se colocou de pé ao lado da esteira - ela deveria estar malhando, mas como poderia pensar em perder uns 'quilinhos' quando ele estava ali, esplendorosamente lindo, totalmente acessível? Não, ela não estava concentrada. E nem ele, percebeu ao ver seu olhar caindo sobre ela. Talvez ele estivesse afim de uma conversa, talvez estivesse com vontade de trocar alguns beijos. É, mas só talvez. E ela? Do que ela estava com vontade? De rir loucamente e flertar, pensou sorridente. Sarah não era uma garota típica do interior: ela era engraçada sem ser boba; irônica, mas não cínica. A menina sabia como conquistar e jogar fora, assim como sabia se apaixonar e demonstrar carinho. Era como se fosse água - sabia acalmar e também afogar. Talvez Nicolas gostasse de se afogar nos olhos dela - quando Sarah estava feliz, pareciam ouro líquido. Ou talvez ele ficasse preso - quando ela era indiferente, estavam mais para uma dura pedra de topázio. 'Eu não ligo', pensou mais uma vez - talvez essa fosse a frase em que mais pensava, a frase que mais dizia. Era a frase que simplesmente a definia.
-Oi. - Nicolas disse ao passar o braço ao redor de Sarah, casualmente.
-Sentiu minha falta? - Ela perguntou. Sabia como deixá-lo intrigado. E Nick apenas sorriu.
-Na verdade, estou fazendo um favor vindo falar com você.
-E eu poderia saber porquê? - Sarah redarguiu com os olhos faiscando de marotagem.
-Porque você não vive sem mim. - Respondeu ele de forma automática. O sorriso de Sarah simplesmente desapareceu e mais uma vez seus olhos ficaram duros e frios.
-Isso é o que você quer pensar. - E ela se moveu tão rápido que Nick mal teve tempo de fechar a boca pasma: seus lábios estavam colados e ela sorria enquanto o beijava. Mas não. Ele não era Nick. Era João - o lindo personal trainer que simplesmente se rendera ao ser beijado por uma linda garota.
-Eu disse que ia quebrar seu coração. - Sarah disse sorrindo enquanto caminhava em direção a saída. Ela não olhou para trás, mas teve certeza de que Nick a fitava.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Perfeitamente imperfeitos

Então, Samantha olhou ao seu redor - as flores na janela pareciam mortas e sem cor, considerando que um dia antes eram rosadas e totalmente alegres. Talvez estivessem complacentes com seu estado de espírito, talvez estivessem buscando o amor umas das outras como ela estava. Um sorriso bobo brotou em seus lábios e então ela se deu conta de flores não amavam, flores não sentiam e muito menos pensavam. Ah, talvez ela desejasse ser uma flor agora. Quem sabe assim as lágrimas que queriam rolar por suas bochechas ficassem ali, paradas na eternidade - quem sabe assim Henrique pudesse voltar a vê-la como antes. Então, uma daquelas pequenas teimosinhas que estava presa em seus olhos saiu molhando a folha de papel na qual a menina escrevia sua última carta para ele. "Querido Rick, eu previ que você me deixaria assim que soubesse de tudo. Assim que entendesse o quão estúpido foi em ter ficado comigo quando meus pais partiram, deve ter pensado em como eu era frágil e não conseguiria superar aquilo sozinha, entretanto, mal supunha você que eu era fria e calculista e que todas as lágrimas que eu supostamente deveria derramar em seu ombro jamais seriam derramadas. Surpreendente, você deve ter pensado e ainda assim persistiu em algo que sabia que não conhecia. Persistiu em mim..." e assim, parou de escrever. Todas as forças que juntara para lhe dizer tais palavras estavam por terra agora - mas a menina não era fria e calculista? Bom, até o mais duro dos gelos derrete em meio a raios quentes. E poderíamos dizer que Henrique era um desses raios. De todos, o mais brilhante.
-Talvez você não seja quem eu pensei que fosse. - Disse a voz grave e firme adentrando na sala de aula. - Talvez todos os meus pressentimentos, talvez todas as vezes em que pensei em desistir de você fossem um alerta me dizendo que não daríamos certo.
-Então, ainda bem que você ouviu. - Redarguiu a loira olhando para a carta. A lágrima derramada já não estava mais lá e seu rosto estava duro feito pedra, indecifrável. Ela não tinha sentimentos e não agora não seria a hora apropriada para passar a tê-los.
-Talvez, talvez... Talvez eu não os tenha ouvido. - Henrique sentou-se atrás dela, ela podia sentir seu hálito quente em sua nuca. Aqueles dias de inverno, as mãos dadas no parque enquanto tomavam chocolate quente, tudo aquilo fora apenas uma ilusão. "Você nunca demonstra nada", ele lhe dizia. E ela sabia que era verdade - como aquele menino poderia entender o amor o qual ela nutria sendo que a mesma não conseguia ao menos sorrir quando este a beijava?
-Talvez eu não queria ouvir. - prosseguiu ele - Sabe, se eu te amasse por você ser alegre, então, quando você estivesse triste não haveria motivos para que eu ficasse ao seu lado. Se eu te amasse porque você me ama, então, se você deixasse de me amar, seria como se eu nunca tivesse te amado. Se eu te amasse porque você canta bem, então, quando perdesse a voz... O ponto em que quero chegar é que não posso te amar por suas qualidades.
Ela se virou para ele. Os olhos novamente marejados de água e quando cruzaram com os de Henrique a fachada pela qual lutara por manter se fora - ah, como sentira falta daqueles lindos olhos azuis. Daquela boca perfeitamente delineada para encaixar com a dela. Mas, principalmente, como sentiu falta de como ele sabia dizer eu te amo os olhos.
-As pessoas não mudam, Sam. Ninguém muda. Dessa forma, seus defeitos nunca mudarão. - O moreno disse enquanto recostava seus dedos nos dela. Um calafrio percorreu sua espinha e seus lábios contorceram-se numa espécie de sorriso. - E por isso decidi amá-la por eles. Amá-la porque você não sabe demonstrar seus sentimentos, amá-la porque você é teimosa, amá-la porque você bagunça todos os lugares por onde passa.
-Talvez isso não seja um defeito... - Sam retrucou enquanto seus lábios entrelaçavam-se com os dele.
-Talvez eu possa sair arrumando tudo atrás de você...
-É, talvez...

Cá estamos

Faz algum tempo que estou sem vir aqui... Todos os dias me passa pela cabeça se meus textos poderiam estar ajudando alguém como eu, alguém perdida em pensamentos e sonhos que apenas deseja desesperadamente poder consertar tudo. Se eu pudesse fazer por uma pessoa todo bem que Jane Austen, Nora Roberts e tantas outras fizeram por mim, então eu me sentiria completa.
Tantas vezes almejamos ouvir palavras de conforto daqueles que amamos apenas para termos certeza de que ainda somos amados mesmo sabendo que não somos as melhores pessoas do mundo. A pior parte de sermos nós mesmo é conhecer todos os nossos defeitos e às vezes não os aceitarmos - mas muito pior do que isso e perceber que aqueles que nos amam não ligam a mínima para esses detalhes extremamente importantes.
Vou voltar a contar minhas histórias bobas de uma nefelibata - talvez você não goste do que eu escrevo, mas quero que esteja ciente de que escrevo para mim mesma e não para satisfazer um próximo, claro que seria bom se todos acolhessem minhas palavras e eu pudesse ajudar em algo, mas meu principal objetivo é entender a mim mesma com palavras que até um segundo atrás eu desconhecia.