terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Se não formos, o que seremos?

Como muitas coisas na vida, ser forte não é algo que a gente escolhe. Não é como quando vamos a uma sorveteria e podemos optar entre chocolate ou céu azul. Ser forte é simplesmente ser, sem ter que pensar, sem decidir ser. É algo que muita gente gostaria de ser, mas que não pode porque não sabe como - e nem tem como saber. Não é aprendizável. Não é legível. É como aqueles textos abstratos que pouca gente com caligrafia feia entende. Como se você só soubesse ser se fosse. 
Talvez tudo isso seja uma grande bobagem e aqueles sábios que se escondem atrás das redes sociais possam me dizer que "é só você ser!", "siga em frente que ninguém nunca vai te derrubar". Sabe? Aquelas frases clichê que a gente está cansando de ler na timeline. Esses conselhos geralmente não são sábios - isso porque quem os repassa, na verdade, só está tentando segui-los. Provavelmente, está tentando em vão porque compartilha de novo e de novo. É mais como um lembrete para si próprio do que para os outros. Não adianta a gente pensar que é velho, sábio e maduro tentando ensinar ao outro algo que nem mesmo nós sabemos como aprender.
E ai voltamos ao início desta longa indagação que, como a vida, parece que nunca vai levar a lugar algum. Mas talvez leve. Talvez para uma pequena e solitária alma jogada em algum canto por ai isso tudo faça sentido. Talvez não faça. Meu objetivo com este texto, na verdade, não existe. Pode até parecer que eu queria zombar das pessoas que ficam nas redes sociais o dia inteiro - não poderia fazer isso até porque eu meio que sou uma delas. Olho sempre minhas mensagens porque detesto deixar as pessoas esperando... Posto fotos, coisas idiotas e matérias interessantes pra mim. Mas a questão não é essa. A questão não é quem pensamos que somos, mas quem queremos ser.
Afinal, quem queremos ser? O que somos nós? Somos mesmo aquelas pessoas confiantes, que entendem de política e adoram fazer uma piada "tipo sarcástica" para zombar de quem não tem a mesma ideologia que nós? Será que nós sabemos como ser fortes? Será que o somos?
Não posso dizer muito sobre todas as pessoas com que já convivi, tive o prazer (ou não) de ter uma conversa ou mesmo aquelas que vejo todos os dias... Posso apenas dizer que a fraqueza tem um quê especial a meus olhos. Não porque eu acredite que desistir é a saída, mas porque fraquejar é tão comum quanto persistir. É ver seus olhos cheios de lágrimas porque quer alcançar um objetivo. É tentar e tentar e tentar e mesmo assim ter que arrumar aquele tópico "mal esclarecido" na sua tese. Fraquejar é se sentir impotente mesmo quando você sabe que é capaz de fazer.
Refletindo por um segundo percebo que o bom mesmo não é ser forte, não é saber ser forte: é fraquejar perante grandes oportunidades e, então, erguer a cabeça e ir com tudo. É simplesmente se deixar errar porque acertar sempre - como nas timelines - é impossível.
Talvez não valha a pena ser forte. Talvez valha a pena só ser.