segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Devaneio

Era um olhar constante que cantava a imensidão de seu pensar. De pensamentos que ocupavam o silêncio de seus lábios. Como quem sabe, ele soube que dizer não era a melhor forma de demonstrar e por isso só existia dizendo palavras puídas que susteniam o seu olhar.
Não apenas com os olhos ele o fazia - era com as mãos, com a boca, com o cantarolar de seus passos percalçados pela grama. Uma poesia recitada para o ninguém ouvir já que o espectador não era o fim em si, mas o começo dentro do ser.
Com suspiros e toques, ele caminhava dizendo palavras que não seriam entendidas por meio entendedor... Como se contasse uma história com seu andar, seu cantado falar era como o sol que simplesmente inundava cada partícula do meu ser.
Não que eu fosse - na verdade, nada eu era. Era apenas alguém que, sem ter o que esconder na própria vida, ficava procurando coisas palpáveis nas de quem tinha meu amor... De quem era dono de meus pensamentos mais distantes.
Sem olhar para trás, ele andava cada vez mais próximo de tocar meu suspiro com seus olhos afáveis. Olhava como quem não queria olhar... se achegando e achegando...
Mas, quando não tinha mais o que achegar, chegou. E ficou. E susteniu ao saber pequeno das coisas grandes... Ou nada saber que encanta e emudece... A nós.