sábado, 13 de novembro de 2010

Desejo

"E Helena nunca se sentira tão apavorada - foi como se seu coração estivesse sendo arrancado de seu peito com unhas afiadas por alguém que mais tarde pretendia jogá-lo fora. Ela estava mutilada, sentia suas mãos formigarem e seus de dedos travarem. Era como viver e estar morta com a dor insuportável que sentia naquele momento.
Como ela poderia o perder? Essa nunca foi uma opção. Nunca se quer pensou que algum dia eles pudessem voltar a ser apenas amigos, jamais pensou que o amor dele fosse acabar, que um dia Thomas fosse duvidar de seu amor. Mas naquele sonho tudo era tão real, tão tangível. Ela no quarto com o outro, os dois conversando e a única face que vinha em sua mente era a de Thomas. Por que ela o havia deixado? Não fazia sentido, há um minuto atrás eles estavam correndo e brincando na grama, sussurrando palavras de amor que jamais poderiam ser perdidas, no outro, Helena sozinha com alguém que não amava e fingia amar.
Talvez essa tenha sido a mentira mais bem contada que ela ouvira. Acordou aos prantos, seu coração acelarado desejando ter acordado antes, apenas almejando que aquele sonho jamais se tornasse algo além de um sonho. A dor de perder Thomas não fora apenas algo que ela imaginou, aquela dor se prostou em seu peito como uma flecha que a corria por dentro. Ele era sua vida. Como alguém pode perder sua própria alma e viver? Ele era seu ar, o motivo pelo qual ela desejava viver para sempre.
Se alguém tinha que desejá-la, era ele. Se alguém tinha que amá-la, era ele. Não existia outra forma de amar se não a Thomas. Helena estava em desespero puro quando ouviu seu nome ser sussurrado.
Ela virou-se para a janela - jasmins estavam ali, de todas as cores e tipos, enroladas num papel bonito e verde com um laço lilás. Era a coisa mais linda que já tinha visto. Correndo com as pantufas foi até a respectiva janela branca de seu quarto e observou atentamente aquelas belaas flores.
"Porque ninguém te ama mais do que eu", a voz rouca lhe sussurrou no ouvido, "Ninguém nunca te amará mais do que eu. É isso que está escrito no cartão". Os braços dele a envolveram num aperto de ferro, como se não a vissem a semanas. Seus olhos castanho-escuros, estavam dourados na luz do sol como sempre ficaram. Seus dedos de pianista acariciavam sua barriga dizendo que ela era dele. Toda e eternamente dele. Seus dedos lhes bagunçavam o cabelo encaracolado e moreno, enquanto ela fechava os olhos pedindo que eles nunca se separassem. Agradecendo por tudo que já tinham passado juntos e implorando que nunca sentisse aquela dor na vida real.
Virando-se lentamente, Helena perdeu-se nos olhos dele - naquele seu olhar de poeta, sempre dizendo mais do que seus lábios. Por falar em lábios, foram esses que se encontraram a seguir. Um encaixe perfeito - a moldura dos braços dela envonvendo-lhe o pescoço enquanto os dele seguravam sua cintura com tamanha destreza, acabando com a distância entre seus corpos. As mãos dele acariciando suas costas com delicadeza, mas dessa vez não davam-lhe o benefício da duvida como sempre - ela tinha duas escolhas ou era dele ou ele a tomaria para si. E escolheu a primeira. Seria de Thomas pelo resto de seus dias.
Afinal, que é um sonho além de algo imbecil que imaginamos? Nunca veremos hipopótamos voadores ou galinhas rosa choque. E o sonho de Helena jamais se tornaria realidade."

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Estrelas

Às vezes quando olhos pra trás vejo tantas coisas que gostaria de apagar. Trilhos que gostaria de
jamais ter seguido. Muitas pessoas dizem que se tivessem que voltar ao passado não alterariam nada, infelizmente não sou uma dessas pessoas.
Existe apenas uma coisa que eu nunca mudaria: meu amor por você. Sabe, ouvi dizer uma vez que quando uma estrela se apaga depois de brilhar durante milhares de anos, ela continua ali. Está apenas sem brilho externo, mas ainda é uma estrela, ainda ocupa um lugar no espaço. Uma estrela não precisa necessariamente brilhar para ganhar tal mérito e ouso dizer que você é minha estrela. Com você, chego a achar possível a ideia de que retas paralelas podem um dia ter um ponto em comum. É como se o olhar de poeta de Veríssimo se tornasse cada vez mais fascinado e os lábios dos eu-líricos ficassem mais unidos.
Quando olho para a lua não vejo apenas algo redondo e bonito, mas sim espero que você também a esteja olhando para que, dessa forma, nossos olhares se tornem correspondentes mesmo estando tão distantes.
Uma vez eu li que "quem inventou a distância, não sabia o que era saudade" e concordo veemente com essa frase. A saudade é algo que me machuca, é como levar uma facada toda vez que lembro dos seus olhos. Ou me sentir afogar cada vez que me imagino sentindo seu toque em minha pele.
Talvez eu não escreva tão bem quanto gostaria, mas acredito com convicção que passo tudo o que estou sentindo. Mas o que sinto por você é muito maior que eu.
Se juntarmos todas as gotas que compõe o mar, todos os grãos de areia das praias, todo ar que há no mundo e todas as estrelas do céu, tudo isso bem juntinho, ainda será pouco comparado ao que sinto por você.
"Love of my life you don't know what you means to me", não mesmo. Você não consegue fazer ideia de tudo o que sinto por você.
De como meu coração se despedaça a cada despedida. E como todos esses cacos se juntam como se nunca tivessem se espatifado quando você volta.
O toque de suas mãos me diz que você me segurará aonde quer que eu caia. Sustentar seu olhar é o mesmo que sentir um sopro de vida dentro do meu coração que apenas bate por você.
Eu te amo.