"E Helena nunca se sentira tão apavorada - foi como se seu coração estivesse sendo arrancado de seu peito com unhas afiadas por alguém que mais tarde pretendia jogá-lo fora. Ela estava mutilada, sentia suas mãos formigarem e seus de dedos travarem. Era como viver e estar morta com a dor insuportável que sentia naquele momento.
Como ela poderia o perder? Essa nunca foi uma opção. Nunca se quer pensou que algum dia eles pudessem voltar a ser apenas amigos, jamais pensou que o amor dele fosse acabar, que um dia Thomas fosse duvidar de seu amor. Mas naquele sonho tudo era tão real, tão tangível. Ela no quarto com o outro, os dois conversando e a única face que vinha em sua mente era a de Thomas. Por que ela o havia deixado? Não fazia sentido, há um minuto atrás eles estavam correndo e brincando na grama, sussurrando palavras de amor que jamais poderiam ser perdidas, no outro, Helena sozinha com alguém que não amava e fingia amar.
Talvez essa tenha sido a mentira mais bem contada que ela ouvira. Acordou aos prantos, seu coração acelarado desejando ter acordado antes, apenas almejando que aquele sonho jamais se tornasse algo além de um sonho. A dor de perder Thomas não fora apenas algo que ela imaginou, aquela dor se prostou em seu peito como uma flecha que a corria por dentro. Ele era sua vida. Como alguém pode perder sua própria alma e viver? Ele era seu ar, o motivo pelo qual ela desejava viver para sempre.
Se alguém tinha que desejá-la, era ele. Se alguém tinha que amá-la, era ele. Não existia outra forma de amar se não a Thomas. Helena estava em desespero puro quando ouviu seu nome ser sussurrado.
Ela virou-se para a janela - jasmins estavam ali, de todas as cores e tipos, enroladas num papel bonito e verde com um laço lilás. Era a coisa mais linda que já tinha visto. Correndo com as pantufas foi até a respectiva janela branca de seu quarto e observou atentamente aquelas belaas flores.
"Porque ninguém te ama mais do que eu", a voz rouca lhe sussurrou no ouvido, "Ninguém nunca te amará mais do que eu. É isso que está escrito no cartão". Os braços dele a envolveram num aperto de ferro, como se não a vissem a semanas. Seus olhos castanho-escuros, estavam dourados na luz do sol como sempre ficaram. Seus dedos de pianista acariciavam sua barriga dizendo que ela era dele. Toda e eternamente dele. Seus dedos lhes bagunçavam o cabelo encaracolado e moreno, enquanto ela fechava os olhos pedindo que eles nunca se separassem. Agradecendo por tudo que já tinham passado juntos e implorando que nunca sentisse aquela dor na vida real.
Virando-se lentamente, Helena perdeu-se nos olhos dele - naquele seu olhar de poeta, sempre dizendo mais do que seus lábios. Por falar em lábios, foram esses que se encontraram a seguir. Um encaixe perfeito - a moldura dos braços dela envonvendo-lhe o pescoço enquanto os dele seguravam sua cintura com tamanha destreza, acabando com a distância entre seus corpos. As mãos dele acariciando suas costas com delicadeza, mas dessa vez não davam-lhe o benefício da duvida como sempre - ela tinha duas escolhas ou era dele ou ele a tomaria para si. E escolheu a primeira. Seria de Thomas pelo resto de seus dias.
Afinal, que é um sonho além de algo imbecil que imaginamos? Nunca veremos hipopótamos voadores ou galinhas rosa choque. E o sonho de Helena jamais se tornaria realidade."