quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Resplandecente

Não parecia nada demais a olhos nus - como se, realmente, o "essencial fosse invisível aos olhos". Talvez nesse ponto específico aquele egoístico príncipe estivesse com a razão. Mas a pequenês, invisível, risível, incrível nada mais era do que a essência de algo que jamais poderia ser visto pelos tolos - como aquela tal roupa do rei.
Eram fios soltos de uma ponta que não poderia ser encontrada por qualquer um, como se o mundo todo se unisse para procurar uma finalidade que não existia de fato. Mas existia. E estava ali. O brilho que ofusca o sol não pode jamais estar onde os cegos não conseguem ver... Desperdício. 
Mais que real as resplandecentes pedrinhas que estavam no caminho, mas não de Drummond. Algo que se podia colher e não se precisava pular. Que acrescentava, somava, ganhava. Uma vida que não necessariamente dependia das outras pra viver, mas que sabia que, muitas vezes, era melhor ter uns folks por perto pra aquecer o coração com um sanduíche.
Resplandecente.  Incrente. Incrível. Não crível de tão decente. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A dor precisa ser sentida

Não se lembrava de onde viera aquele conselho - poderia ser das páginas de um livro, dos versos de uma música ou das estrofes de um poema... A verdade é que era real: a dor precisava ser sentida. Não necessariamente o tempo todo, mas por um tempo. Era como as lágrimas da chuva que lavavam a alma mesmo que não parecesse que precisava ser levada. 
Seus olhos fitavam um céu escuro e amargo que não sabia dizer que horas eram. Tanta nuvem, tanto escuro que não dava pra imaginar o que viria a seguir - era a cara da vida. Não que precisasse ser assim. Caminhando pela estrada pedregosa, sentiu a gota que rolava por seu ombro parar. Parou porque não fazia sentido rolar quando o que poderia ser lavado nem ao menos estava ali. Como um sonho ruim, imaginou que aquilo era coisa da sua cabeça, que a lágrima não tinha parado ali. Mas parou. 
Novamente, se virou para cima e observou a imensidão que expressava tanto com tão poucas palavras - palavras, sim, porque o dizer pode estar implícito no olhar. A dor precisava ser sentida. Não como a felicidade ou a satisfação, que duravam um segundo ou a vida toda. Precisava ser um reflexo do ser e não do estar, mesmo que por alguns minutos. Lágrimas sinceras eram melhor do que um nada pouco espontâneo.
Quando olhou para si mesma e viu o que tinha acontecido, chorou. Não porque sabia que era irreversível ou porque seria lembrada com amor e compaixão. Mas porque a dor, infelizmente sentida em sua totalidade, acabara. Deixara de existir num suspirar de passarinho e ela, enfim livre de um tormento que durou alguns minutos, não teria que conviver com dor eterna. Não era dor que merecia ser sentida. Agora estava livre. 


(A dor, minhas irmãs, precisa ser sentida por quem fica. Sentida e lembrada para que a luta jamais perda o sentido - porque é por isso que nós lutamos com força e coragem).