Essa semana eu andava tranquilamente pelo shopping - as vitrines cintilavam contra a luz forte do lugar. O ar condicionado mais parecia um refrigerador naquele dia ou, talvez, eu estivesse fria demais para a ocasião.
Caminhava lentamente por entre as pessoas que fitavam meu jeans desbotado e meu All Star nada velho, quando avistei um trio de meninas muito peculiar - a mais alta usava uma saia de cintura alta tão justa e preta que seria mais adequada para noite, eu diria, maquiagem forte, um scarpin preto com um salto de, no mínimo, dez centímetros. As outras duas estavam quase que clones dessa primeira, a diferença era o salto um pouco mais baixo e as cores vibrantes das blusas que elas usavam. Não aparentavam ter mais de nove anos. Eram magras feito as modelos anoréxas que pensavam comer muito quando, na verdade, engoliram apenas um chiclete.
A risada foi mais forte que eu quando ouvi o assunto sobre o qual as meninas conversavam - como a Kate Perry era mais bonita e charmosa que a Lily Allen e alguma coisa sobre uma revista adolescente. Pelo andar da carruagem, a revista deveria ser daquele tipo feito especialmente para adolescente burguesinhas que, quando se trata de "caber na mesada", conseguem comprar acessórios de no mínimo cinquenta reais. As meninas me encararam com um olhar Glossip Girl e eu, obviamente, dei um sorriso cínico de quem não quer nada com nada.
Elas tornaram a andar e discutir seus assuntos incrivelmente fúteis. Naquele momento pensei seriamente em escrever uma crônica sobre como a mídia influencia as crianças - por mais inteligente que sejam, meninas de nove anos ainda são crianças. Como meninas dessa idade já usam batom vermelho e sapatos fechados de dez centímetros de salto? Lembro-me bem que, aos nove anos, eu amava meus milhares de All Star, adorava meus jeans e mais ainda, adorava usar camisas de bandas. Eu era a típica adolescente rebelde aos 11 anos, não queria ouvir nada que não falasse sobre como nossos pais nos oprimem, blábláblá... Mas tenho certeza que, a primeira vez que usei maquiagem, eu tinha quatorze anos. Ah, como eu tive uma infância boa - lendo revista em quadrinhos sobre bruxas que se apaixonavam por mortais e brincava com minha boneca quando tinha vontade. Eu era realmente uma criança, não um protótipo de uma Pin-up girl.
No instante em que as meninas sumiram de minha vista, eu lamentei por elas. Lamentei por meninas tão novas não brincarem de boneca, mas preferirem dar uma volta no shopping apenas para paquerar. Lamentei por perceber que elas não iriam entrar numa loja de brinquedos para ver quais eram as novidades em bonecas e em jogos. Lamentei por saber que, meninas como essas, jamais teriam a noção de príncipe encantado que eu tive e que ainda tenho.
Isto é, será que as meninas da atualidade sonham com um menino incrivelmente lindo chegando perto delas com os olhos brilhantes e o sorriso largo, com a mão estendida e as palavras " Quer dançar comigo?" estampadas em seus lábios? Acho que não. Imagino que a única frase que essas meninas esperam ouvir de um menino bonito é "Quer ficar comigo?".
"A missanga, todos vêem. Ninguém nota o fio que, em colar vistoso, vai compondo as missangas. Também assim é a voz do poeta: um fio de silêncio costurando o tempo." Mia Couto
quinta-feira, 22 de abril de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
Um cruzar de olhares
E era dele que ela estava falando quando aqueles lindos olhos cor de mel entraram na sala. Esta estava quente e abafada, mas o importante é que ele havia sorrido para ela antes mesmo de comprimentar o anfitrião. Rodrigo* deu um passo para frente pronto para vir na direção dela quando uma multidão o envolve em abraços e apertos de mão - ainda assim, os olhos deles continuavam fixos um no outro. Quando aquele alvoroço se desfez, Rodrigo caminhou lentamente para perto de Duda, os passos calmos faziam o coração dela acelerar - parecia mais querer parar de bater. As mãos da morena suavam feito loucas enquanto suas pernas queriam cair do tanto que tremiam. Ah, Rodrigo... Ele chegou perigosamente perto, tanto que, por um instante, o coração dela parou. Seus olhos se fecharam e ela pensou seriamente que iria cair. O menino, com uma cautela constrangedora, beijou-lhe a face que se tornou rubra com o toque e que se regojizou com um sorriso cintilante.
-Você está incrível. - ele comentou com os olhos miúdos encolhidos em seu rosto angelical. Ah, como ele parecia um anjo com aquela luz branca a lhe iluminar.
-Obrigada... - Duda agradeceu. Ele ficou tão bem com essa camisa preta, pensou ela sentindo seu cheiro inebriante que a deixa mais do que inerte as reações do mundo.
Ele entrelaçou os dedos nos dela e roçou seus lindos lábios na mão pequenina e frágil da morena dos olhos claros. Esta extremesseu com o toque que lhe foi concedido pensando seriamente em lhe dar um abraço do amis apertados e dignos de uma menina apaixonada. Ah, Duda estava apaixonada. Como era difícil assumir esse fato constrangedor que a deixava tão meramente confusa - depois de várias tentativas frustradas de um amor perfeito, os amantes não sabem ao certo para que ou para quem estão vivendo, apenas sabem que devem encontra um sentido em suas vidas, encontrar sua alma gêmea. Aquela onde irão encontrar o que não acham em si mesmos.
Ah, como aquela noite foi produtiva, muita dança e mais ainda, muito amor. Muitos corpos entrelaçados como um só e muitos olhares fitando-se incontávelmente.
-Você está incrível. - ele comentou com os olhos miúdos encolhidos em seu rosto angelical. Ah, como ele parecia um anjo com aquela luz branca a lhe iluminar.
-Obrigada... - Duda agradeceu. Ele ficou tão bem com essa camisa preta, pensou ela sentindo seu cheiro inebriante que a deixa mais do que inerte as reações do mundo.
Ele entrelaçou os dedos nos dela e roçou seus lindos lábios na mão pequenina e frágil da morena dos olhos claros. Esta extremesseu com o toque que lhe foi concedido pensando seriamente em lhe dar um abraço do amis apertados e dignos de uma menina apaixonada. Ah, Duda estava apaixonada. Como era difícil assumir esse fato constrangedor que a deixava tão meramente confusa - depois de várias tentativas frustradas de um amor perfeito, os amantes não sabem ao certo para que ou para quem estão vivendo, apenas sabem que devem encontra um sentido em suas vidas, encontrar sua alma gêmea. Aquela onde irão encontrar o que não acham em si mesmos.
Ah, como aquela noite foi produtiva, muita dança e mais ainda, muito amor. Muitos corpos entrelaçados como um só e muitos olhares fitando-se incontávelmente.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Por mais que as pessoas não mudem...
... elas podem se arrepender. Afinal, todos nós temos direito de errar. Quem nunca disse algo que preferia ter guardado para si mesmo que atire a primeira pedra - ou, quem sabe, não tenha mesmo dito, mas garanto que uma hora aquilo vai escapar e esse individuo vai se arrepender amargamente, não por ser alguém ruim, não, longe disso, mas sim porque por mais que errar seja humano, ninguém gosta de errar. Ninguém gosta de cair. Entretanto, a parte mais divertida de cair é poder se levantar.
Podem me chamar de louca, mas eu adoro ficar com dor de garganta e, depois que ela passa, beber um caloroso chocolate quente - não tem o mesmo sabor, quer dizer, por mais que o tivesse tomado a minha vida inteira, depois de um episódio como esse, ele passa a ser mais um sabor em minha vida.
Ah, como é bom ficar doente e se recuperar mais tarde... Como é bom cometer um dos piores erros de nossas vidas só para saber quem realmente está conosco nessa jornada - aqueles amigos fieis vão amar-nos mesmo que tenhámos tido a atitude mais repulsiva imaginável. Pois eles não querem nosso mal, se caírmos, querem que levante-mos. Se nos ajoelhamos, torcem para que seja um pedido de perdão e não uma falha. Se choramos, supõe ser de alegria, afinal, para que chorar de tristeza se possuimos pessoas tão boas quanto eles? E estão certos no final das contas.
Sei que isso se trata de ponto de vista e religião, mas a verdade é que eu acho que não irei para o céu, conforme minhas crenças dizem que deveríamos ir. Não acho que sou merecedora de tal honra, já que errei e vou errar mais em minha vida. Já que sofri, mas fiz tantos outros sofrerem com meu jeito torrão de ser. Sei que já derramei lágrimas, mas que fiz alguém derramá-las por pura insensibilidade. Porém, se alguém que errou tanto quanto eu me disse que não vai para o céu, creio que tenho que discordar. Ainda mais se for um amigo querido. Você vai pro céu, eu diria, apenas por ser quem você foi pra mim, apenas por secar minhas lágrimas quando eu não merecia, apenas por deixar-me socar-lhe a face com o intuito de que eu me sentisse melhor. É na fragilidade que encontramos a verdade - a verdadeira face daquele que agride mostra-se quando este é agredido.
Posso não ser o ser mais correto do mundo, mas sei que milhares de pessoas teram um belo destino após essa vida apenas por terem sido o que foram para aqueles que as amavam.
Podem me chamar de louca, mas eu adoro ficar com dor de garganta e, depois que ela passa, beber um caloroso chocolate quente - não tem o mesmo sabor, quer dizer, por mais que o tivesse tomado a minha vida inteira, depois de um episódio como esse, ele passa a ser mais um sabor em minha vida.
Ah, como é bom ficar doente e se recuperar mais tarde... Como é bom cometer um dos piores erros de nossas vidas só para saber quem realmente está conosco nessa jornada - aqueles amigos fieis vão amar-nos mesmo que tenhámos tido a atitude mais repulsiva imaginável. Pois eles não querem nosso mal, se caírmos, querem que levante-mos. Se nos ajoelhamos, torcem para que seja um pedido de perdão e não uma falha. Se choramos, supõe ser de alegria, afinal, para que chorar de tristeza se possuimos pessoas tão boas quanto eles? E estão certos no final das contas.
Sei que isso se trata de ponto de vista e religião, mas a verdade é que eu acho que não irei para o céu, conforme minhas crenças dizem que deveríamos ir. Não acho que sou merecedora de tal honra, já que errei e vou errar mais em minha vida. Já que sofri, mas fiz tantos outros sofrerem com meu jeito torrão de ser. Sei que já derramei lágrimas, mas que fiz alguém derramá-las por pura insensibilidade. Porém, se alguém que errou tanto quanto eu me disse que não vai para o céu, creio que tenho que discordar. Ainda mais se for um amigo querido. Você vai pro céu, eu diria, apenas por ser quem você foi pra mim, apenas por secar minhas lágrimas quando eu não merecia, apenas por deixar-me socar-lhe a face com o intuito de que eu me sentisse melhor. É na fragilidade que encontramos a verdade - a verdadeira face daquele que agride mostra-se quando este é agredido.
Posso não ser o ser mais correto do mundo, mas sei que milhares de pessoas teram um belo destino após essa vida apenas por terem sido o que foram para aqueles que as amavam.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
'And I love you a little less then before
A verdade é que as pessoas não sentem o que realmente dizem. Um olhar de ternura diz mais do que mil palavras de ódio, mas quem é o ser humano para compreender alguma coisa da alma? Irei citar um exemplo extremamente banal: Edward disse à Bella que não a amava, no livro Lua Nova, digo. Mas os olhos dele eram tão tristes, tão amorosos e cheios de compaixão... E não foi isso que ela viu. Na realidade, vemos o que queremos ver. Bella nunca se achou o suficiente para Edward, dessa forma, sua mente estava apenas esperando um sinal de irracionalidade do dono de seu coração para que fugisse daquilo para sempre. Fugisse do amor que a menina humana se recusava a aceitar. Por qual outro motivo ela não teria visto o amor nos olhos dele?
que uma verdade nos olhos do ser amado, nada mais é do que uma mentira caridosa, algo que é nos dito para que o sofrimento invada-nos o coração e o preencha de orgulho de tristeza.
Posso declarar apenas uma coisa: ser sincero nem sempre é estar certo. Machucar as pessoas é errado em quaisquer circunstâncias - não importa o quanto essa pessoa precise ouvir aquilo, algumas coisas têm de ser ditas com carinho e compaixão.
Certamente que a verdade dói, mas o soco que vou te dar depois que você dizer dói mais ainda - é, eu concordo com essa frase total e completamente. Foi um grande amigo meu que me disse uma vez quanto eu lhe disse que minha amiga me perguntou se poderia ser sincera comigo.
"Por que você não socou a cara dela?", essa foi a pergunta mais engraçada que eu já ouvi e realmente não sei porque eu não segui esse conselho. Teria sido tão gratificante ouvir o trincar do nariz dela... Meus punhos afundando em sua face bela e deformando-a por um segundo... Mas não é com prazer que resolvemos nossos problemas, claro que seria bom se fosse... Enfim, é melhor conversar ou até mesmo, não conversar, esquecer. Esquecer o que aquele ser humano insensível disse sobre o amor, sobre a vida e sobre coisas das quais não tinha o menor conhecimento. Uma pessoa que não sente amor por ninguém, certamente não é uma pessoa, é um ser. Não há vida sem amor e cada um ama do seu jeito.
Eu amo a cada segundo de minha vida - eu amo aquele velhinho que passa na rua e sorri para mim mostrando que está mais feliz do que eu por estar vivo. Eu amo aquela amiga que me introduz ao seu grupo na escola, simplesmente porque eu sou a colega nova. Eu amo aquele que nunca me fez mal. Eu amo aquele que me fez mal, mas não por ser de sua natureza fazer essas coisas. Entretanto, eu não amo aquele que me fez derramar lágrimas quando deveria me fazer sorrir e ter vontade de melhorar.
Nesse momento, eu poderia dizer que a conclusão de tudo isso é que eu deveria ser uma pessoa melhor, mas do que adiantaria? Nada. É essa a resposta. Nada. Eu posso mudar, mas não quero ser alguém que não sou. As pessoas não mudam, elas se oprimem e eu já me oprimo o suficiente -se assim não fosse, teria lhe socado as fuças no momento em que começasse a filosofar com ignorância sobre o amor. É incrivelmente prazeroso para mim ajudar pessoas, cuidar de pessoas... Eu fico feliz de precisarem de mim e triste quando não precisam.... É um defeito, mas é algo que eu gosto de ter. É uma contradição benévola.
Enquanto milhares de pessoas são exemplos de autruísmo, sem vaidade alguma, sem ambição alguma, eu sou alguém que gosta de ajudar, mas com alguma vaidade, com sonhos grandes e aqueles menorzinhos... Com certeza não sou a pessoa mais boa do mundo. Porém a verdade é a mesma: as pessoas não mudam, se oprimem.
que uma verdade nos olhos do ser amado, nada mais é do que uma mentira caridosa, algo que é nos dito para que o sofrimento invada-nos o coração e o preencha de orgulho de tristeza.
Posso declarar apenas uma coisa: ser sincero nem sempre é estar certo. Machucar as pessoas é errado em quaisquer circunstâncias - não importa o quanto essa pessoa precise ouvir aquilo, algumas coisas têm de ser ditas com carinho e compaixão.
Certamente que a verdade dói, mas o soco que vou te dar depois que você dizer dói mais ainda - é, eu concordo com essa frase total e completamente. Foi um grande amigo meu que me disse uma vez quanto eu lhe disse que minha amiga me perguntou se poderia ser sincera comigo.
"Por que você não socou a cara dela?", essa foi a pergunta mais engraçada que eu já ouvi e realmente não sei porque eu não segui esse conselho. Teria sido tão gratificante ouvir o trincar do nariz dela... Meus punhos afundando em sua face bela e deformando-a por um segundo... Mas não é com prazer que resolvemos nossos problemas, claro que seria bom se fosse... Enfim, é melhor conversar ou até mesmo, não conversar, esquecer. Esquecer o que aquele ser humano insensível disse sobre o amor, sobre a vida e sobre coisas das quais não tinha o menor conhecimento. Uma pessoa que não sente amor por ninguém, certamente não é uma pessoa, é um ser. Não há vida sem amor e cada um ama do seu jeito.
Eu amo a cada segundo de minha vida - eu amo aquele velhinho que passa na rua e sorri para mim mostrando que está mais feliz do que eu por estar vivo. Eu amo aquela amiga que me introduz ao seu grupo na escola, simplesmente porque eu sou a colega nova. Eu amo aquele que nunca me fez mal. Eu amo aquele que me fez mal, mas não por ser de sua natureza fazer essas coisas. Entretanto, eu não amo aquele que me fez derramar lágrimas quando deveria me fazer sorrir e ter vontade de melhorar.
Nesse momento, eu poderia dizer que a conclusão de tudo isso é que eu deveria ser uma pessoa melhor, mas do que adiantaria? Nada. É essa a resposta. Nada. Eu posso mudar, mas não quero ser alguém que não sou. As pessoas não mudam, elas se oprimem e eu já me oprimo o suficiente -se assim não fosse, teria lhe socado as fuças no momento em que começasse a filosofar com ignorância sobre o amor. É incrivelmente prazeroso para mim ajudar pessoas, cuidar de pessoas... Eu fico feliz de precisarem de mim e triste quando não precisam.... É um defeito, mas é algo que eu gosto de ter. É uma contradição benévola.
Enquanto milhares de pessoas são exemplos de autruísmo, sem vaidade alguma, sem ambição alguma, eu sou alguém que gosta de ajudar, mas com alguma vaidade, com sonhos grandes e aqueles menorzinhos... Com certeza não sou a pessoa mais boa do mundo. Porém a verdade é a mesma: as pessoas não mudam, se oprimem.
terça-feira, 6 de abril de 2010
You belong with hir'
"... e ele estava lá - seus lindos olhos cor de jabuticaba estavam mais brilhantes que o normal naquele dia. Ele havia visto os olhos dela, deve ser por isso. Eu caminhava tranquilamente pelo corredor tentando me abraçar o máximo que meus braços podiam suportar, pelo menos assim eu me impedia de cair... De fracassar. Uma lárima pousou em meus olhos e eu senti que iria desabar a qualquer momento. A parede estava mais próxima do que eu poderia supor e foi nela que eu derramei minha primeira lágrima. Aquela solitária que simplesmente por teimosia não queria desistir de cair. Foi então que eu vi, os olhos dele estavam escondidos por sobre as pálpebras fechadas com doçura, as mãos pequenas e ágeis mais pareciam tão famintas quanto os lábios ferozes nos dela. Mais uma vez senti meu coração vacilar e pensar sinceramente e parar de bater - a morte seria mais fácil do que o sofrimento que eu senti naquele momento."
E foi assim que Chris* se sentiu hoje. Ah, como foi doloroso ver seus lindos olhos negros tão poluídos com aquela mágoa desnecessária. Com aquele sofrimento impiedoso que queria possuir seu ser pequeno e frágil. Eu a abracei com força e esperei pacientemente até que as lágrimas começassem a cair em minha blusa para olhar nos seus olhos e lhe dizer a seguinte frase: "Não chore por quem não te merece, pois que merece suas lágrimas nunca te fará chorar".
A verdade é essa. Nós choramos, desabamos, gritamos e esperneamos, mas no fim nada voltará a ser como era antes de derramarmos a primeira lágrima. Antes de darmos o primeiro grito ou quebrar a primeira taça. Nem tudo é fácil na vida, mas o que é fácil nem sempre é o certo. Nem sempre a felicidade é o caminho certo.
Ah, todos devem estar pensando: mas a felicidade não é sentido de tudo? É claro que não, eu respondo, o sentido de tudo é o amor e, às vezes para se chegar até ele, o caminho é mais escuro do que a clareza da tristeza. Clareza que nos cega, nos impede.
E foi assim que Chris* se sentiu hoje. Ah, como foi doloroso ver seus lindos olhos negros tão poluídos com aquela mágoa desnecessária. Com aquele sofrimento impiedoso que queria possuir seu ser pequeno e frágil. Eu a abracei com força e esperei pacientemente até que as lágrimas começassem a cair em minha blusa para olhar nos seus olhos e lhe dizer a seguinte frase: "Não chore por quem não te merece, pois que merece suas lágrimas nunca te fará chorar".
A verdade é essa. Nós choramos, desabamos, gritamos e esperneamos, mas no fim nada voltará a ser como era antes de derramarmos a primeira lágrima. Antes de darmos o primeiro grito ou quebrar a primeira taça. Nem tudo é fácil na vida, mas o que é fácil nem sempre é o certo. Nem sempre a felicidade é o caminho certo.
Ah, todos devem estar pensando: mas a felicidade não é sentido de tudo? É claro que não, eu respondo, o sentido de tudo é o amor e, às vezes para se chegar até ele, o caminho é mais escuro do que a clareza da tristeza. Clareza que nos cega, nos impede.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Um recomeço nada agradável
Sabe quando uma certa intranquilidade nos invade de forma incrivelmente desagrádavel? Claro que se essa intranquilidade entra como intrusa, ela seria mal vista, mas o caso é: seria possível que um situação se tornasse mais temerosa do que o previsto? A verdade é que nada é o que parece. Se o mundo fosse menos cheio de pessoas falsas, creio que todos poderiam viver com menos hipocrisia. Ou melhor, se as pessoas não exibissem falsa sinceridade, imagino que tudo poderia ser mais sensível do que aparenta ser.
Isto é, como se é verdadeiro falsamente? Como é possível dizer a verdade em forma de uma mentira? Simplesmente não é possível, quer dizer, não é possível se formos analisar de forma coerente e esse não é o caso. Seria extremamente possível que uma pessoa fosse meramente sincera, quando na verdade estava expressando por você sentimentos que nem ela mesma conhece para comparar, para discutir e até mesmo esquecer.
Não sei ao certo se é possível esquecer o que não se esquece, mas sei que se há um vazio, deve ser porque devemos preenchê-lo. Às vezes fico a pensar em como a sociedade não apenas critica aquilo que não entende como também despreza o que não pode possuir.
Todos já ouviram aquela frase "mas eu não queria mesmo...". Certo, vamos fingir que isso é verdade. Aquilo que o ser humano mais quer e está fora de seu alcance se torna desprezível a ele. Isso não se chama aceitar a situação, apenas viver uma vida amargurada por algo que não se possui, que não se tem.
Quem odiaria o amor? Apenas aquele que não ama e não é amado. Uma pessoa assim nem deveria se dar ao trabalho de pensar que existe. O amor é a essência da vida - sem ele como nos solidificar-mos numa base que seria impossível de se derrubar? O amor rompe barreiras e cria proteções - proteções para que esse amor nunca seja afetado de forma ruim, proteções para que o objeto desejado pelo cérebro e apreciado pelos olhos fique seguro ao seu alcance.
Como pode o ser humano, essa coisa tão frágil e melancólica, pensar que o diferente é algo nocivo a ele próprio? O diferente nada mais é do que algo fora do comum.
Ah, sim, todos são diferentes. Essa declaração apenas é um conclusão de pessoas obtusas que queriam muito ser algo inusitado, mas são apenas algo comum. Por que será que a mídia impoz que o magro é belo e o formoso é feio? Simples: porque já que existem tantas pessoas formosas por ai, vamos dar uma chance aos miúdos que até o momento eram subjugados.
Quando uma pequena camada da sociedade descide que o incomum é feio, toda a grande camada acredita.
Então, beba da fonte e desfrute da loucura
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