Nem sempre a liberdade vem com aquele gostinho de chocolate que a gente imaginava - às vezes, é só com o amargo do café que o despertar pode ser completo. Mas, veja bem, não é apenas pela dor que há mudança, como muitos dizem. Na verdade, o que acontece realmente é que em meio a tantas coisas ruins, a tantos baixos e poucos altos, a gente não consegue enxergar aquele progresso que no início de tudo era tão importante pra gente. Aquele passo adiante que parecia tão distante, mas era essencial pra felicidade e pra plenitude e que se perdeu no meio dos contratempos de um ano conturbado.
Mesmo em meio à ruínas, a liberdade ainda é fresca. É aquele vento que bate no rosto. O tênis que ecoa na pista. A perda da respiração. O estar ofegante, mas possuir o tudo dentro de si mesma porque todas as angústias do ser você ficaram para trás - não só as angústias, mas as felicidades também. Ali, na pista, é só você, nua e crua. Nada além espasmo, não nervoso, aliviado.
Frescas e renovadas, não precisamos mais de ar, de tempo, de pausa. Não precisamos nos livrar daqueles problemas intermináveis ou daquelas contas que não param de chegar. Não precisamos gritar, xingar, fugir. Tudo ficou na pista. E, toda ruína de um ano perdido, então pareceu renovada também, não tão arruinada, não tão doída, não tão amarga. Talvez o pouco de bom que tenha havido tenha sido o suficiente.
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