quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Nas palavras do Nando

Já era tarde quando se deu conta de que não poderia mais voltar. As nuvens que cobriam o céu eram muito densas, o vento soprava alto e o coração... Ah, esse batia forte. A volta não era realmente cobiçada naquele pequeno e tenso espacinho - queria mais pensar, pensar e pensar. Mas por quê? Se o pensamento não faz a realidade?, muitos diriam. Porque dizer isso é o mesmo que dizer que nada se sabe - pensar faz, sim, muita realidade. É na ideia que começa uma ação, um sentimento, um tesão. É no "e se..." que todo conto começa a ser contado como uma história que pode ser dita, explicada ou interpretada. 
Já era tarde quando se deu conta de que o andar pra frente de que todos falavam não significava realmente um andar - era quase decolar, quando feito adequadamente, é claro. Bastava um toque de mágica - aquele que a gente espera sentado sob o céu denso, o vento alto. Não podia mais pensar no que já tinha sido, só no seria. Mas será? Será que não poderia mesmo pensar no que tinha sido se o que foi foi TÃO bom quanto tinha sido? Suspirou ao lembrar da primeira vez em que seus olhos se cruzaram - como se sempre tivesse sabido, soube que era a coisa certa ou que seria. Soube que o coração batia forte por aquela pessoa, que o tempo, ah, o tempo passava rápido quando estava ao lado daquela pessoa. Sabia das palavras do poeta, sentia com os sentimentos dele. Era como flutuar em suas canções e sugar todo seu romantismo enrustido - não subestimando o poder nato da mulher de ser autossuficiente, mas fazendo-a tão deusa de si que poderia amar qualquer um, mas o tinha escolhido. 
Já era tarde quando percebeu que não poderia mais abrir os olhos porque todo o amor que tinha guardado transbordava para fora sem palavras - transbordava como borboletas que se despendiam de seu corpo e voavam em busca de aventuras inéditas, em busca de coisas que as deixassem no ar... Os braços, as pernas, o coração. Tudo o que poderia pender pendia - ia em direção ao desconhecido ao mesmo tempo em que se aventurava em saber tanto de tão pouco explorado lugar: sabia que era o lugar certo, o lugar a ser explorado, consumido e amado... amado até o mundo acabar. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário