sexta-feira, 19 de maio de 2017

San junipero

Ela foi como a última brisa de primavera antes de chegar o verão: aquela brisa demorada, que chega sem avisar, bagunça tudo o que está arrumado e depois vai embora sem dizer adeus, mas deixando aquele quentinho dentro do coração. Ela trouxe um perfume floral, daqueles que a gente não esquece com facilidade porque marca a pele e o coração.
A conheci num desses dias quentes de outono - muito menos comuns do que a gente imagina. É, incomuns como ela. Na hora, aquele sorriso doce me conquistou - ou foi o olhar gentil? Ou o beijo apaixonado? Bem, o beijo é uma outra história que a gente não vai contar aqui. Acho mesmo que foi a forma como ela entrelaçou os dedos nos meus e disse que me amava com os olhos antes mesmo que tivesse algum resquício de amor para inundar o coração. Tem gente que marca a gente só por existir, mesmo sem entrar em nossas vidas. 
Mas a vida nem sempre é fácil. Não. Às vezes, as coisas simplesmente acontecem em momentos errados - errados? Seriam mesmo taxados como errados? Não sei. Talvez devamos reformular a frase. Às vezes, as coisas simplesmente acontecem - e também simplesmente acabam. Talvez não acabem por inteiro, talvez nem devam, de verdade, acabar. Elas podem fazer um pausa como quando colocamos aquela vírgula safada fora do lugar apenas para dar uma respirada e, então, continuar o texto, ops, a vida.
Tem coisas que simplesmente acontecem. Tem coisas que simplesmente acabam. E tem coisas que simplesmente precisam de uma pausa, no tempo, no espaço, mas não no coração. Talvez, em um outra realidade, em um outro mundo, em que só possa existir a primavera, as coisas possam durar. Talvez em uma realidade aumentada em que o coração não precise seguir essas regras de tempo que a gente coloca. Talvez em uma realidade em que não haja regras, apenas essa harmonia gostosa de se ser o que se é. É. Talvez em San junipero possa existir felicidade plena, transbordar de corações e realidades tão palpáveis que realmente parecem reais. 
No momento, San junipero não existe, mas, quem sabe, no futuro possa existir.

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