O sol brilhava intensamente sobre as flores molhadas pelo orvalho do inverno. As pessoas que corriam ali respiravam e inspiravam com uma calma descomunal - seus rostos estavam concentrados, ignorando as gotas de suor que rolavam em direção à boca. Eram jovens, adultos, idosos e crianças a aproveitar mais um gostoso dia no parque.
Dali nem se podia ouvir os gritos atemorizados das crianças moreninhas, de olhos amendoados e amargura latente. Em meio a tantas árvores e sons naturais, não se poderia lembrar das luzes ofuscantes que, em menos de dois segundos, davam espaço para uma fumaça densa e um barulho ensurdecedor em algum canto do mundo.
A bela senhora japonesa se alongava em frente ao pequeno banco iluminado, pensando talvez em quando seus netos iriam chegar para vê-la, sem imaginar, porém, que aqueles gritos que ela não ouviu quando proferidos poderiam ter sido dos netos de alguém.
As crianças que corriam pelo gramado e chutavam a bola de futebol com gosto, escolhendo por grau de preferência qual jogadores iriam ser, poderiam ter sido as mesmas que foram interrompidas no meio de um passe rumo ao gol.
Naquele dia ensolarado não havia fumaça densa, gritos de horror nem um guri a segurar o próprio intestino em frente ao hotel. Não havia guerra ali, drones ou presidentes de outras nações sentados em suas cadeiras observando a morte tomar conta de um lugar disputado por Deus.
Sob a sombra das árvore, o cantar dos pássaros e o sorrir das crianças, não havia tristeza ou podridão. Havia apenas esquecimento do que, como nossos olhos não viram, nossos corações não poderiam sentir.
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