domingo, 17 de março de 2013

A modernidade que volta a Platão

E ela olhou para janela sem saber o que pensar - havia indagado o dia inteiro e ainda não chegara a nenhuma conclusão, o que era completamente frustrante. Por que as coisas eram como eram? Por que as pessoas não conseguiam fazer outra coisa se não consumir? Talvez tudo fosse diferente se o início tivesse sido diferente. Se as pessoas aprendessem que a vida não é feita de coisa, mas de pessoas e sentimentos. Mas, e aqueles sentimentos ruins? Aqueles que nós temos vergonha de sentir? Será que esses sentimentos nos fazem quem somo e, portanto, não aceitamos quem somos? Será que eles são, de fato, errados? Ou alguém nos disse que eles são errados?
Essas e outras questões filosóficas entraram em sua mente de tal forma que viver tornara-se complicado e tedioso. Não parecia haver respostas para suas perguntas. Afinal, como poderiam haver respostas se essas perguntas não haviam sido perguntadas mais do que algumas poucas vezes? Por que responder algo que raramente era questionado? Por que PENSAR? A verdade é que pensar  é complicado e te deixa muito mais confuso do que você estava antes de começar a raciocinar sobre as coisas da vida. Como será que os filósofos não enlouqueceram? Talvez eles tivessem enlouquecido. Talvez Sócrates fosse tão louco que nem mesmo ele conseguia se compreender e ai questionava as pessoas sobre suas próprias dúvidas. Pensar a estava enlouquecendo. Como poderia ser feliz se a felicidade havia sido tomada dela muito tempo atrás? Será que a felicidade é uma droga e, depois que você prova uma vez, fica completamente viciado e não consegue fazer outra coisa se não ir atrás dela desesperadamente? Ela achava que sim. Achava que a felicidade foi sua maior droga e ousava pensar que era a maior consumidora que já existiu. Ah... Ela já foi tão feliz! E agora esses dias não passavam de belas lembranças que ultrapassavam a linha tênue entre sanidade e insanidade. Tais memórias entravam e saiam de sua mente com uma frequência jamais vista e, então, entravam em colapso. Será que ela ficaria depressiva? Será que usaria drogas? Será que seria infeliz para sempre? 
Sinceramente, só existe uma pergunta para essas perguntas: depende. Depende da resposta dela, pois tudo depende de nossas escolhas e nossas respostas. Ninguém é obrigado a fazer nada - se até Deus nos deu o livre arbítrio, por que os homens poderiam nos dizer o que fazer? Não poderiam e é essa a questão. Todos os nossos atos, todas as nossas perguntas e todas as nossas decisões são isso: nossas. Cabem a nós e a mais ninguém. Mas, é claro que é difícil explicar isso para uma sociedade tão massificada e alienada que não consegue enxergar que está voltando a belle époque brasileira. Não consegue ver que nossa nova França é os EUA. Não consegue ver que o consumo está, de fato, consumindo-nos. Como mostrar a realidade para quem acredita que as sombras são reais?

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