quinta-feira, 27 de maio de 2010

A essência flora daquilo que menos convém

Por mais pequenos que sejam nossos atos, de alguma forma, eles atingem as pessoas ao nosso redor.
Hoje, estava eu sentada em minha aula de inglês como toda costumeira quinta-feira quando, repentinamente, meus olhos incrivelmente perfeccionistas notaram que a caneta do Antônio* estava prestes a cair - essa mais parecia que, com um soprão, iria encontrar o chão. Aquilo me deixou aflita, como ele pôde não ter notado que sua caneta não estava adequadamente posicionada na mesa? Então, calma e lentamente, Toni pegou a diga cuja e a colocou um pouco menos na beirinha da mesa. Fiquei atônita com sua atitude. Será que ele não teve a menor preocupação em não deixá-la cair? Se aquilo tivesse acontecido comigo, provavelmente eu teria entrado num desespero momentâneo e pego a caneta o mais rápido possível, sem dizer que a colocaria bem longe daquela ponta da mesa. Mas, qual o propósito de todo esse apavoramento? Na verdade, não havia um propósito realmente relevante. Afinal, a caneta cairia no chão e eu teria apenas que me abaixar e pegá-la. Nada demais, pensando por um segundo. Entretanto, podemos levar isso como uma lição de vida quase que implícita: às vezes ficamos a olhar o tombo que iremos levar a qualquer momento, ficamos ali, parados e perplexos esperando que o tão esperado instante ocorra... Até que alguém corre ao nosso encontro e nos tira da pontinha do penhasco. Nós sabíamos desde o início que alguém iria nos ajudar, caso contrário, nem estaríamos na beirinha do penhasco para começo de conversa.
Isso me fez pensar no ato que eu teria se aquilo fosse comigo - se eu soubesse que alguém me faria não pular de um penhasco, imagino que teria ação acima retratada. Porém, eu não teria essa certeza, afinal, na minha cabeça é melhor contar com ninguém e não esperar até o último minuto para ser salvo. Não acho que esteja de tudo errada - "melhor prevenir que remediar", diz o ditado. Contudo, uma parte de mim sente que confiar nas pessoas, ou melhor, confiar numa circunstância positiva até o último momento da queda, seja um modo bom de passar esse tempo. É bom ser a Wendy esperando que o Peter Pan a salve do Capitão Gancho. É gratificante deitar numa cama num sono de beleza e esperar ser despertada por um beijo como nossa querida Branca ou a dorminhoca da Bela Adormecida. Mas no mundo atual, por que esperar por seu Príncipe Encantado se você pode se erguer sozinha? Se a Wendy quisesse, poderia muito bem ter agarrado seus irmãos na hora que melhor lhe coubesse e iria voltar para sua casa segura em Londres. A Branca não teria comido aquela maçã se não tivesse certeza, em seu subconsciente, de que Encantado a beijaria, muito menos Bela Adormecida teria inventado de mexer a roca de fiar de uma velhinha que ela nunca conheceu - seus pais, como todos os pais de todas as épocas, devem ter-lhe dito sobre nunca falar nem aceitar nada de estranhos.
Nossas princesas poderiam ter sido nossas heroínas se não houvesse os respectivos mocinhos no cavalo branco. O que significa o seguinte: se não há a certeza de um final feliz, nós, donzelas, não entramos em apuros.

Um comentário:

  1. Você tem razão! Nós nos tornamos muito frágeis assim... Temos que ser mais independentes e nos preocuparmos mais com nós mesmas, em vez de ficarmos presas a ideia de que "nosso príncipe chegará"

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